Júlio César Ferreira @ 18:42

Dom, 26/07/09

Segundo o ilustre investigador Padre de Jesus Avelino da Costa, o culto de São Bento, no Vale do Vizela, é antiquíssimo, anterior a 1192, uma vez que, na referida data, São Bento já tinha dado o nome ao Monte: "subtus monte de Sancto Benedícto, discurrente flumen Avizella".

A devoção a São Bento prende-se com a Reconquista Cristã, durante a qual os monges fixaram as populações à terra, ensinando -lhes técnicas agrícolas. Surgiu, por isso, na Idade Média, o seu culto no cimo do Monte sobranceiro ao Vizela.
Em Itália, onde nascera S. Bento, o nome do San­to era venerado no alto dos montes (Subiaco e Monte Cassino), que do­minavam vales fertilíssimos, sulcados por rios sinuosos. Nas Terras de Vizela, também o culto a São Bento foi intenso, levantando-se em sua Honra, o Mosteiro Beneditino de Pombeiro, em 1096, falando-se ainda da existência de um convento em Tagilde que devia ser consagrado a São Bento.
Quanto à data da construção da ermida, onde todos gostam de se recolher a pedir aquela graça especial, o Abade de Tagilde, João Gomes de Oliveira, diz que deve ter sido construída antes do Século XVÏ, tendo sofrido ao longo do tempo, diversas obras de restauro. Depois, São Bento sempre procurou unir e conciliar os desavindos, razão pela qual a sua capelinha é meeira, situada na linha divisória de S. Miguel das Caldas e de Tagilde, pertencendo a sua jurisdição aos párocos das duas Fregue­sias e, assim, acabou um conflito que se gerara pela posse da capela de S. Simão, que ficava nas fraldas do Monte de São Bento, no lugar de Montesinhos, segundo reza um documento antigo, existente na Torre do Tombo.
É que São Bento, diz o povo, nunca falta aos que nele confiam e, por isso, durante muitos anos lia-se no tecto da capelinha uma inscrição, em Latim, que implorava os favores do Santo: "Tu. Bento, podes dar saúde a todos; protege os que vêm à tua santa morada". E muitos eram os que subiam ao Monte que lá, no cimo, estava adornado com grandes pedras, o que leva alguns estudiosos a afirmar que a elas se deve a de­signação de São Bento das Pêras. Criara-se o hábito de oferecer a São Bento oferendas com a cor branca: flores, frangos e até sal. Existiam ainda outras promessas que eram muito apreciadas: os se­rões, em que seis ou nove raparigas subiam ao Monte a entoar loas em honra do Santo e cantavam:
 
"S. Bentinho milagroso,
A tua capela cheira,
Cheira a cravos e a rosas
E à flor da laranjeira."
 
E porque se começou a sentir, a pequenez da capelinha Velha, em 1965, deu-se início à construção de um templo com maiores proporções que seria inaugurada em 1970. E há sempre crentes para ambas as capelas, porque o acrisolado amor e devoção por S. Bento das gentes do Vale do Vizela, enche de fé aquele espaço sagrado.

 In. "das Margens do Vizela – Memórias",  Dra. Maria José Pacheco (Adaptação Livre)

 

 


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Num dos locais mais carismáticos e queridos de toda esta imensa região, fica este altaneiro e granítico monte, sobranceiro a Vizela, donde se avistam as paisagens deslumbrantes do Vale do Vizela e, "até o mar em dias límpidos"
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